sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SindMusi apresenta as Rainhas da Noite

Por Rodrigo Coutinho

Para encerrar com a devida pompa o dia de debates do 2º Seminário A Mulher na Música, que aconteceu no dia 23 de outubro, no Memorial Getúlio Vargas, uma glamourosa roda debates intitulada Rainhas da Noite. Presentes, ninguém mais, ninguém menos, que Áurea Martins, Alaíde Costa, Vika Barcellos e Sanny Alves. Durante uma hora e meia, elas bateram delicioso papo mediado pelo compositor Tim Rescala. Em pauta, as condições de trabalho do músico na noite, com foco principal nas mulheres.

Mostrando a característica irreverência e frases de efeito, Aúrea Martins cativou a todos com as histórias de quem completava 50 anos de carreira. Ao seu lado, Alaíde Costa, que a princípio, dizia estar tímida com a situação, revelou seu apurado senso de humor até para tratar de temas delicados como o preconceito e os estereótipos criados pela sociedade: '' Todos acham que neguinha tem que cantar samba e rebolar. Não tenho nada contra o samba, muito pelo contrário, mas a minha música é outra.'' Áurea Martins foi mais rude com a situação: '' As pessoas não tem um pingo de respeito com o profissional que está no palco, não percebem a sensibilidade das músicas cantadas, querem que nós rebolemos e pulemos. Dá liçença, por que isso, eu não faço!''

A nova geração, representada por Vika e Sanny, corroborou as afirmações da dupla de ouro. Sanny chama a atenção para um fato importante: '' Desde que começei, acho que as coisas até pioraram ''. Ela também culpa os contratantes dos shows pelo cenário: '' Eles querem cada coisa absurda, como vou cantar a noite inteira, levar o meu público e ele ficar a maior parte do lucro? ''. O cenário acaba prevalecendo os profissionais que aceitam qualquer condição, contribuíndo para a formação de um público cada vez mais indiferente à qualidade musical do evento.

Vika Barcellos aborda o tema de uma maneira mais ampla: '' O problema da educação é geral, não apenas nos espetáculos musicais. A maioria das pessoas que vão a uma casa de show, acham que omúsico é animador de ambiente''. Apesar das queixas, a conversa fluiu no mais absoluto bom humor, proporcionando um fim de tarde agradável e fechando com chave de ouro as palesras do 2º Seminário A Mulher na Música.  
 
À noite, na casa de show Lapinha, o SindMusi homenageou Áurea Martins pelos seus 50 anos de carreira com uma linda festa. Antes do show de Áurea, houve exibição do curtametragem Áurea, de Zeca Ferreira, que mostra os preparativos para um show  da diva da noite musical carioca.  

Uma justa homenagem a Geny Marcondes

Por Rodrigo Coutinho
Uma maravilhosa viagem ao que há de melhor na música brasileira! Assim pode ser definida a palestra feita por Caíto Marcondes em homenagem à sua tia, Geny Marcondes. Hoje, com 94 anos, Geny Marcondes foi importante compositora e diretora musical. Mas a sua grande façanha, segundo a própria revelou em emocionante vídeo mostrado ao público presente, foi ser musicista para o teatro. Praticamente todas as peças em meados do século passado, tinham a direção musical e participação de Geny.

A revelação fez lembrar uma época de ouro para os músicos cariocas, quando todos os espetáculos teatrais tinham a presença de músicistas no palco. Caito revelou detalhes de sua personalidade: '' A Geny era muito avançada para a época, muito ousada, sempre impressionava a todos. Foi a única mulher a ocupar o espaço de arranjadora ''.

Além de emocionar a praticamente todos os presentes no Memorial Getúlio Vargas, o material mostrado por Caíto, revela o quanto é pobre a memória cultural do povo brasileiro. Em conversa quase informal, grande parte do público participou da palestra, e a falta de valorização ao trabalho de personalidades como Geny foi exaustivamente citado.

As senhoritas e o Violão por Márcia Taborda

 Por Rodrigo Coutinho

Em apresentação realizada durante o 2º Seminário A Mulher na Música, no último dia 23 de outubro, no Memorial Getúlio Vargas, Márica Taborda falou sobre um importante movimento ocorrido na década de 20, a aceitação das mulheres pelo violão, instrumento outrora visto como símbolo da malandragem, foi destacada por ela na palestra As Senhoritas e o Violão.

Hoje, talvez o instrumento mais tocado do Brasil, chegou ao Brasil no início do século XIX, e era chamado de viola francesa. Mas a completa difusão deste instrumento se deu somente cerca de cem anos depois, durante o Festival Pelo que é nosso. Na ocasião, ocorreu o 1º concurso de violão.

O trabalho de Olga Praguer Coelho, violonista da época, foi exaltado por Márcia. Para ela, Olga foi a principal responsável pela quebra de alguns paradigmas que afastavam as mulheres do instrumento. Ao final de sua exibição, Márcia Taborda exibiu alguns áudios originais de Olga, verdadeiras pérolas da música brasileira.  

Déborah Cheyne fala a TV Petros sobre CULTURAPREV

A presidente do SindMusi, Déborah Cheyne, é a entrevistada do mês na TV Petros. 

Déborah falou de como os profissionais, muitas vezes, não se preocupam com o futuro e  que são poucos os músicos que param para pensar nisso. 

O ministério da Cultura juntou-se com o ministério da previdência e os representantes de todas as classes artísticas, inclusive o SindMusi, para discutir sobre um plano de previdência complementar que atendesse às necessidades dos artistas de todas as vertentes. Com a parceira Petros abraçando a causa, foi possível criar o CULTURAPREV, o plano do previdência complementar criado exclusivamente para os artistas para cumprir tal demanda. Déborah complementa que " é uma atividade que tem todo um estereótipo e é preciso incutir essa ideia nos músicos e em todos os trabalhadores da cultura." 

Para assitir o programa completo, basta clicar neste link: http://www.truetech.com.br/webtvconsole/usuario3.0/webtvconsole.php?console=179&canal=0&video=0, e pesquisar no playlist, a direita da tela, por CULTURAPREV.

sábado, 23 de outubro de 2010

Pesquisa SindMusi - Resultados

Por Rodrigo Coutinho

Após três meses de trabalho pela noite carioca, Jarbas Pinheiro e Luciana Requião apresentaram os resultados da pesquisa de gênero encomendada pelo SindMusi. Dentre as principais queixas, estão a falta de camarins decentes para o músico e a ausência de fiscalização do poder público nas casas de shows. Do número total de entrevistados, a grande maioria é formada por homens, ao todo 70%. 

A faixa etária predominante vai dos 20 aos 50 anos e a  maioria dos profissionais é morador da Zona Sul do Rio. Um fato que impressionou a todos, foi o expressivo número de músicos que tem a música como principal fonte de renda, 75% deles. Além disso, 63% do número total de entrevistados são sindicalizados e, tem boa avaliação do trabalho realizado pelo SindMusi.

Quanto ao mercado de trabalho, 47% o consideram regular.  Assim como, as condições de trabalho encontradas nas casas de shows. Luciana e Jarbas também preocuparam-se em direcionar algumas perguntas para as musicistas, como a que tratava de condições de higiene nos banheiros das casa noturnas.

Em breve, disponibilizaremos no nosso site o conteúdo completo da pesquisa.

Parceria Petros-SindMusi

Após a pausa para o almoço, a palestrante da vez foi a Gerente de Supervisão da Conta Patrocinadora Privada da Petros, Marília Moreira, ela falou sobre as vantagens do plano de previdência da empresa e esclareceu dúvidas quanto ao seu funcionamento. Marília destacou também, o trabalho desenvolvido pela Petros, que já conta com 78 instituições parceiras, englobando todas as áreas de atuação de trabalho.

A Mulher em busca da representatividade

Por Rodrigo Coutinho

   Dando continuídade ao 2ª Seminário A Mulher na Música, subiu ao palco do Memorial Getúlio Vargas a representante da Secretária de Políticas para a Mulher, Maria Lucia Braga. Maria, que também é socióloga, começou falando da pouca presença das mulheres no campo sindical, para ela, reflexo da mentalidade presente na socieade, que tende a designar aos homens cargos de liderança.

   Apesar do cenário, Maria Lúcia apontou considerável melhora durante os últimos anos.
   - Já avançamos muito, mas ainda há muito o que avançar. Precisamos de políticas voltadas para as mulheres e os movimentos sindicais estão incluídos nisso. O fato de estarmos aqui hoje já é um grande avanço, há dez anos atrás isso era improvável

   Para mudar esse quadro, ela acha de suma importância a mudança na educação brasileira.
   - O investimento na educação é necessário, temos que modifcar os valores da sociedade. A bancada no Congresso, por exemplo, é ínfima. As mulheres representam 52% do eleitorado e tem menos de 10% de representatividade na casa.

   Maria Lúcia aproveitou também para ressaltar o apoio dado pela secretaria a eventos culturais que valorizam a mulher. Um deles acontecerá na primeira semana de dezembro. A Mulher na Mídia, acontece entre os dias 6 e 7 de dezembro, no Rio de Janeiro e ajudará a jornalistas e comunicadores no trato de questões inerentes ao universo feminino.      

Carolina Valverde e a saúde do músico

 Por Rodrigo Coutinho
 
Dando início ao 2ª Seminário Mulher na Música, a fisioterapeuta Carolina Valverde palestrou para o público presente no Memorial Getúlio Vargas. Carolina, além de musicista e fisioterapeuta, é professora da Universidade Federal de Minas Gerais e atende em seu consultório, exclusivamente músicos.

   Na primeira parte da palestra, Carolina abordou temas de cunho psicológico para a performance da mulher no meio musical. Para ela, acontecimentos de natureza do mundo feminino tem total ingerência no rendimento das musicistas. Gravidez e afazeres domésticos foram apontados como os principais responsáveis para o fenômeno. Carolina contou já ter até tido acesso a  casos de pessoas com diabetes provenientes do stress, agravado, muitas vezes, pela desconfiança a que as musicistas são alvo em seu trabalho

   A interferência do lado emocional no aspecto físico também foi levantada por Carolina
   - Não se pode afastar o lado fisíco do emocional. Recebo muitas queixas de dores ocasionadas por problemas emocionais.

   Um tema que levantou bastante interesse da platéia, foi quando Carolina falou sobre os hábitos pessoais, prejudiciais à saúde do músico.
   - A falta de sono pode se tranformar numa dor ortopédica. É necessario de 7 a 8 horas de sono para a recuperação das fibras musculares perdidas no esforço físico feito ao tocar o instrumento. É necessário bastante atenção com o sapato, travesseiro, colchão e a cadeira do computador.

   Uma característica que marcou a palestra desde o princípio, foi a grande participação do público presente. Durante pouco menos de duas horas, Carolina tirou muitas dúvidas da platéia e compartilhou experiências enriquecedoras com os presentes. Ela também aproveitou para divulgar o Encontro entre Professores e Estudantes que tratará do tema e buscará meios de divulgação. O evento acontece nos dias 27 e 28 de outubro na Universidade Federal de Medicina de Minas Gerais e tem apoio do Instituto EXERSER e do CEREST-MG. 

Pontapé inicial da FENAMUSI

Por Rodrigo Coutinho

Aconteceu na manhã deste sábado, na sede do SindMusi-RJ, a reunião de assembléia geral de Constituição da Federação Nacional dos Músicos. Na ocasião, representantes de 12 sindicatos de Músicos de todo o Brasil aprovaram a ata de fundação da FENAMUSI e acertaram para a segunda quinzena de março de 2011, a assembléia de fundação da instituição.

Uma das idealizadoras do projeto, a presidente do SindMusi-RJ, Déborah Cheyne, mostrou todo o seu orgulho com o comprometimento mostrado por todos os sindicalistas durante a reunião.

- Foi muito bom, não estou desapontada com absolutamente nada. Todos estão de parabéns.

Mostrando profundo agradecimento pelas condições oferecidas pelo SindMusi-RJ, o presidente do Sindicato dos Músicos de Araraquara, Antônio Clemente, exaltou o empenho de Déborah.

- É gratificante estar aqui, o músico, de uma maneira geral, grita muito, mas tem pouca capacidade de organização, que isso seja um pontapé para mudar a realidade.

Luiza Helena, integrante do Sindicato do Rio Grande do Sul, um dos mais antigos do país, conta a experiência que viveu no México, onde os músicos tem acesso a uma estrutura representativa nacional muito mais eficaz.

- Quando estive lá, fiquei até com inveja, existe até casa geriátrica para o músico. Com a Federação, é possível avançar em questões como essa.

Ela também ressalta a importância da mudança de mentalidade do profissional da música.

- É necessário que o músico se reconheça como trabalhador comum. O entendimento de recolher o INSS, por exemplo, é necessário.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

FENAMUSI começa a sair do papel

Por Rodrigo Coutinho

Em reunião realizada durante toda  sexta-feira, representantes de 12 sindicatos de músicos de todo Brasil, estiveram presentes na sede do SindMusi para debate e aprovação dos termos do Estatuto de regimentação da FENAMUSI. A FENAMUSI tem como objetivo representar em nivel nacional os diversos sindicatos de músicos brasileiros, desde que estejam devidamente regularizados no Ministério do Trabalho.

Déborah Cheyne e Ricardo Callado, presidente e advogado respectivamente do SindMusi/RJ, fizeram a leitura do Estatuto. Enquanto isso, todos os presentes tinham a oportunidade de levantar pontos de divergência ou manifestar interesse em acrescentar algo. Ficou decidido também, que cada sindicato já filiado a alguma Federação deverá convocar assembléia para aprovação da desfiliação da atual e futura aprovação à FENAMUSI. Todos os sindicalistas presentes se comprometeram a conduzir de maneira lépida o processo citado.


A próxima assembléia para a  criação da FENAMUSI deve acontecer no início de 2011, possívelmente em Recife ou Natal
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